ASPECTOS GERAIS RELATIVOS À CONCEPÇÃO E OPERAÇÃO DE PILHAS DE REJEITO E/OU ESTÉRIL NO AMBIENTE DA MINERAÇÃO
18 de março de 2025
Uma abordagem técnica e sustentável para a concepção e operação de pilhas de rejeito e estéril na mineração, garantindo segurança e eficiência ao longo da vida útil.
Por Thales Basilio | Revisão: Mário Castro
A implementação de pilhas de rejeito e/ou estéril advém da necessidade de disposição de materiais sem valor econômico oriundos dos processos de lavra de reservas minerais e/ou beneficiamento do produto a ser comercializado ou encaminhado à indústria. Sendo assim, os empilhamentos são primordiais na operação e no planejamento de empreendimentos minerários, o que demanda um projeto que considere tanto questões técnicas de segurança quanto atenda às condições de operação das minas. Assim, é de suma relevância a elaboração de “roadmaps” de disposição, pois auxilia a elucidar as estratégias de operação nas estruturas ao longo da “Life of Mining” (LOM). De fato, antecipar as formas de dispor, os volumes de disposição e os limitantes das áreas disponíveis, pensando os planos diretores de disposição, pode, sobremaneira, reduzir os problemas de operação a médio e longo prazo.
Não obstante, fatores físicos, ambientais, sociais, hidrológico-hidráulicos, geológicos e geotécnicos do local de implantação da pilha devem ser suficientemente estudados e entendidos, uma vez que, entre outros, os atores citados podem influenciar tanto no volume a ser disponibilizado para a disposição quanto em condições de operação da estrutura. Por conseguinte, é de grande importância a aquisição de dados confiáveis que permitam caracterizar a condição topográfica, as interferências, as condições ambientais, as condições geológico-geotécnicas dos materiais que comporão a fundação da pilha, além de ser necessária base confiável de dados hidrológicos da região. Todos esses fatores devem ser ponderados quando do estudo de alternativas locacionais, buscando, de maneira segura, atender à demanda de operação do empilhamento, sem causar impactos negativos ao meio ambiente e às comunidades do entorno, quando existentes. Ademais, é importante, frente a tais fatores, a realização de avaliações dos riscos associados ao projeto, sendo apresentados os riscos, atores e medidas de mitigação associadas.

Relacionada à segurança geotécnica do empilhamento está a operação de disposição dos materiais. Nesse caso, faz-se importante o estabelecimento de regras de operação visando a densificação do material disposto, de modo que as condições “in situ” sejam representativas daquelas previstas em projeto que, cujos parâmetros devem ser oriundos de campanha consistente de ensaios geotécnicos de laboratório, buscando a caracterização completa dos materiais dos pontos de vista físico, da resistência ao cisalhamento, da deformabilidade e da condutividade hidráulica.
Já do ponto de vista ambiental, é de extrema relevância a caracterização química dos materiais a serem dispostos, uma vez que, a depender das características químicas das partículas, é necessário minimizar as possibilidades de contaminação de lençol freático e possível dano à fauna e flora nos locais de implantação. Nesse caso, cabe destacar dois aspectos relevantes a serem avaliados: potencial de geração de drenagem ácida e inércia química do material.
É importante, ainda, ressaltar a necessidade de rotinas de inspeção, manutenção e monitoramento dessas estruturas, que devem ser integradas às inspeções rotineiras de campo e aos dados adquiridos a partir de instrumentação de auscultação geotécnica locada, de modo a medir grandezas relativas a nível d’água, pressão neutra, deslocamentos superficiais, vazão dos dispositivos de drenagem, tensões no maciço etc. Essa rotina de monitoramento e inspeções, cuja periodicidade é variável em função das características da estrutura, quando realizadas de maneira conjunta e integrada, munem adequadamente um plano de manutenção da estrutura, mantendo-a em bom estado de conservação, o que propicia a realização de avaliações assertivas quanto sua condição de estabilidade.

Ao fim da vida útil das pilhas, que é variável em função da magnitude das estruturas, deve-se reintegrar a região ao meio ambiente a partir de projeto de fechamento, que leve em conta as sensibilidades ambientais, de fauna e flora, entre outras características. Assim, deve ser prevista em projeto a devida descontaminação das regiões possivelmente afetadas pela estrutura, além de estudo assertivo de espécies nativas, para a devida reinserção sustentável da estrutura ao meio ambiente.
Em suma, são muitos os fatores intervenientes no projeto, operação e fechamento de uma pilha de estéril e/ou rejeitos de mineração. Esses devem ser avaliados de maneira conjunta, de modo a garantir a vida útil da mina, de maneira segura e sustentável. Para tanto, é primordial se guiar por legislação, normas e padrões nacionais e internacionais, tais quais o Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos (GISTM).
A STATUM Geotecnia tem como principais valores a excelência técnica e a segurança inegociável durante a realização dos serviços e expertise em consultoria e acompanhamento para todas as fases de projeto e operação de pilhas, desde os estudos locacionais até o fechamento da estrutura.